Naquela tarde, enquanto a cidade ainda chorava, sentei-me diante do meu computador antigo — aquele que sempre ficou de lado, usado só para escrever e-mails de trabalho. Digitei as palavras que surgiam como um grito mudo:
“Hoje eu sinto o medo como se fosse a sombra que me acompanha. E se eu escrevesse sobre ele? Talvez, ao dar-lhe voz, ele perca o seu domínio.” Blog Do Medo Boate Kiss %28%28NEW%29%29
Nasci, então, o Blog Do Medo. Não seria apenas um diário; seria um espaço onde o medo poderia ser visto, descrito, analisado. E, por causa da Boate Kiss, aquele blog carregaria um nome que lembrava a tragédia, mas também a necessidade de transformar a dor em narrativa. Naquela tarde, enquanto a cidade ainda chorava, sentei-me
Trecho exemplo (parafraseado): "Na pista vazia ecoa um passo que a cidade não esquece; as luzes ainda brilham onde antes havia sussurros — e a gente aprende a carregar o nome de quem se foi." “Hoje eu sinto o medo como se fosse
Ainda lembro o cheiro de fumaça como se fosse o perfume de um antigo perfume que nunca mais será usado. Não era só o cheiro de queimado; era o perfume da vida que, num instante, se transformou em poeira. A Boate Kiss, que antes pulsava ao ritmo dos corações adolescentes, virou um sussurro permanente nas ruas de Santa Maria. Cada luz apagada, cada porta trancada, carregava a lembrança de quem não voltou.
Para quem esteve ali naquela noite — como eu, que vendia ingressos, que servia drinks, que até cantava “coração de pedra” no canto da pista — o medo não ficou só na madrugada. Ele se instalou, silencioso, como um hóspede indesejado que não aceita o convite para partir.